Entrada de produtos estrangeiros avança e amplia déficit da balança comercial de lácteos

Quando a gente achava que o céu ia desanuviar, pra melhorar a vida dos companheiros e companheiras produtores de leite brasileiros, o tempo fechou outra vez e tá de novo prometendo tempestade pro povo que lida na nossa atividade. O que tem pra ser contado é que, depois de ter apresentado uma ligeira redução em abril, a importação de leite e derivados voltou a aumentar expressivamente neste maio recentemente passado. De acordo com os dados levantados pela Secex, que é a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, o volume trazido agora lá de fora foi equivalente a 220,3 milhões de litros, o que representou um forte crescimento de nada menos que 28,2%, fazendo a comparação com o que tinha acontecido no período correspondente de 2025.
Como tudo que tá ruim pode piorar, e pra completar a consumição, repare a amiga pecuarista que, na outra mão de direção desta mesma estrada, as exportações da nossa indústria laticinista, que já não são grande coisa faz muito tempo, caíram mais ainda no mês passado. O total de produtos derivados despachados lá pro estrangeiro foi o equivalente a 5,8 milhões de litros de leite, com um dolorido tombo de 20%, pareando sempre com o maio do 2025. Aí, fazendo a conta do que foi comprado menos o que foi vendido, o resultado da balança comercial do setor no mês foi um espantoso e escandaloso saldo negativo de 195,6 milhões de litros de leite.
Passando pra parte da explicação pra esta situação, o caso é que a nossa produção própria vem diminuindo com constância e substância desde o começo deste ano presente, e logicamente que, por conta disso, o preço pago ao fazendeiro brasileiro já subiu bem e de maneira consistente, né. Por outro lado, nos principais países fornecedores do mercado mundial a oferta tá relativamente folgada e a cotação não tá assim tão distante da nossa, de modo então que esses produtos ainda tão chegando aqui num valor bem interessante pro importador. Além disso, o que também tá pesando é a questão cambial, com o dólar valorizado em relação ao real, o que ajuda a aumentar o poder de competição do leite e dos derivados importados aqui no mercado caseiro. Aí, mesmo com a nossa produção voltando a aumentar, com o fim da entressafra no sul do país, não vai ser tão já que a gente vai conseguir fechar a porteira e pôr freio nesta invasão estrangeira que tá sendo motivo de grande consumição pra pecuária leiteira brasileira.