Número de animais sobe 1,3%, enquanto produção de carne avança 4,7% no segundo trimestre

Conforme a gente até já falou aqui e disso os companheiros e companheiras boiadeiros já tão sabelizados, o IBGE, que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgou na semana passada o resultado provisório da sua pesquisa de abate de gado no país no segundo trimestre do ano presente, e o que foi publicado no relatório confirmou o que já tava sendo esperado pelo povo do mercado. O que aconteceu foi que o Brasil abateu, de abril a junho, um total de 10,072 milhões de animais debaixo de algum tipo de fiscalização sanitária oficial, municipal, estadual ou federal, o que representou um aumento de 1,3% em relação ao período correspondente do ano passado. Mas aproveitando já a ocasião pra fazer aqui uma ligeira recordação, repare bem a amiga fazendeira que esta porcentagem de crescimento, mesmo sendo positiva, já ficou muito abaixo dos que ultimamente vinham sendo registrados, né.
A explicação, que também não chega a ser novidade pra ninguém, é a virada de ciclo da nossa atividade, que foi começada do meado pro final do ano passado, e agora tá mostrando os seus sinais mais evidentes, com uma forte alta no preço do bezerro e uma substanciosa redução no abate de fêmeas. Por outro lado, os números levantados pelo pessoal do IBGE mostraram também que essa gigantesca boiada que foi pro gancho rendeu 2,76 milhões de toneladas de carcaças, com um crescimento de 4,7%, comparando agora com o primeiro trimestre do ano presente. Pois o amigo pecuarista nem precisa ser doutor especialista pra ver que os animais abatidos entre abril e junho chegaram no frigorífico mais pesados, o que quer dizer que o fazendeiro tá investindo tecnologia e dinheiro pra melhorar o rendimento do seu gado.
Este crescimento foi o resultado lógico e esperado de uma exigência do próprio mercado pra pecuária brasileira, por conta da melhora do consumo aqui no nosso próprio terreiro e da fome extraordinária de carne dos importadores do mundo inteiro, especialmente da China, que aliás teve participação fundamental no aumento da produtividade da nossa boiada porque só aceita o produto de animais com até 30 meses de idade, né. Mas com o tempo cumprindo o seu roteiro costumeiro de querer apostar corrida com o cavalo rei dos parelheiros e com o terceiro trimestre do ano já entrado e bem andado no calendário, a previsão é de que, com a continuação da valorização do bezerro e da retenção de fêmeas na propriedade, o volume de gado apresentado pra abate nos frigoríficos brasileiros muito provavelmente vai começar a diminuir daqui pra frente.