Presidente tenta conter críticas culpando frigoríficos pela alta dos preços e propõe que fazendeiros processem a própria carne

O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que vai autorizar a importação de 300 mil toneladas de carne nos próximos 3 meses, totalmente livres da cobrança de tarifas, tá provocando uma grande onda de protestos e de críticas acirradas contra a medida, por parte das entidades representativas dos pecuaristas estadunidenses e de políticos da oposição e até da base de apoio do seu governo. A medida foi apresentada publicamente como uma tentativa de reduzir o custo de vida da população barateando a carne moída, usada na produção de hambúrgueres e na preparação de pratos prontos congelados, que são muito consumidos no país. O problema é que hoje os preços destes produtos tão em alturas estratosféricas, por conta da forte redução do rebanho bovino deles, que é o menor dos últimos 75 anos.
Claro que todo mundo do governo lá sabia que os fazendeiros nortistas, que sempre foram e sempre serão radicalmente protecionistas, não aceitariam pacificamente uma rasteira assim deste tamanho, especialmente agora que eles tão ganhando muito dinheiro por conta do aperto na oferta e da disparada nas cotações do boi e da carne, né. Mas o que o chefe nem os autores da ideia tavam esperando era o tamanho da reação contra a medida anunciada. Várias das principais entidades representativas dos produtores locais, que até agora apoiavam quase incondicionalmente o governo, criticaram fortemente o presidente e prometeram lutar contra a importação. E a onda de descontentamento foi crescendo até chegar no congresso, com deputados e senadores, até do partido trumpista, se juntaram pra descer o sarrafo no que eles dizem ser uma traição inaceitável aos produtores do país.
Aí, com o céu de tempestade em cima da sua cabeça, o poderoso presidente tá meio desesperado, procurando jeito de compensar o estrago feito, né. A primeira tentativa foi pôr a culpa pela alta dos preços nas grandes indústrias frigoríficas que trabalham no país, principalmente as quatro maiores, algumas delas controladas por grupos estrangeiros, inclusive brasileiros, né. E supostamente pra quebrar o que na sua definição é um monopólio desonesto, a solução que ele arrumou foi propor uma autorização pra que os próprios fazendeiros possam abater seus animais, processar a carne e vender os produtos fabricados a partir desta matéria-prima. Como justificativa, ele disse que os pecuaristas e agricultores trabalham muito, são inteligentes, eficientes e impecavelmente limpos. Parece brincadeira, mas ele deve acreditar que isso pode dar certo. Então tá, né.