Apesar do aumento da produção, maior demanda impulsiona cotações

Depois de ensaiar uma mudança de direção e resvalar no rumo da descida, o mercado internacional do leite e de seus principais derivados surpreendeu os especialistas e recuperou a firmeza. Esta a conclusão a ser tirada do movimento registrado no primeiro leilão de outubro na GDT, a Global Dairy Trade, aquela plataforma eletrônica de negociação administrada pela cooperativa Fonterra, da Nova Zelândia, país que é o maior exportador de produtos de laticínio do mundo, né. O que aconteceu foi que, neste evento realizado na terça-feira da semana passada, dia 6, o preço médio dos produtos apresentados pra venda chegou a 3.928 dólares por tonelada, enquanto o índice geral apresentou uma alta de 1,2% em relação ao pregão anterior, que tinha sido acontecido 2 semanas antes. Fazendo uma recordação ligeira, naquela ocasião o caso foi de uma queda de 1,1%.
Já o volume negociado neste começo do mês ficou em 41.692 toneladas, o que representou uma ligeira redução de 1,8%, fazendo sempre a mesma comparação. De qualquer maneira, apesar dessa leve queda, a oferta e a produção continuam muito elevadas, isso porque vários dos principais fornecedores do mercado internacional tão em pleno período de safra, e por conta disso os analistas apostavam mais num novo recuo das cotações do que na retomada da alta. A explicação, de acordo com os técnicos da GDT, foi o aumento da demanda e o crescimento do número de compradores que participaram deste leilão, e foi esta combinação que ajudou a sustentar as cotações. Destrinchando agora o relatório divulgado na praça, o destaque deste leilão foi o leite em pó desnatado, que registrou alta de 4,3%, chegando a 3.847 dólares por tonelada, o que vem a ser o maior preço dos últimos 4 anos.
O leite em pó integral, que é o produto mais comercializado na GDT, teve um ligeiro aumento de 1,2%, pra 3.605 dólares. Já a maior queda deste leilão foi da muçarela, que fechou o dia 3.833 dólares, com um tombo de 3,9%. Em relação à influência que estes resultados podem ter aqui no nosso mercado interno, o pessoal do portal MilkPoint ressalta que, apesar do aumento da produção mundial, por conta do clima e da estação do ano, o crescimento mais limitado da oferta, somado à demanda ainda firme, deve manter os preços em níveis elevados nos principais países exportadores, incluindo, logicamente, a Argentina e o Uruguai, que são os fornecedores de quase 100% das importações brasileiras de leite e derivados. Ao mesmo tempo, aqui no nosso próprio terreiro, por conta da volta das chuvas a produção já tá aumentando e o preço deve parar de subir, e isso quer dizer que vai ficar menos interessante pras indústrias e pros distribuidores atacadistas continuar comprando no estrangeiro matéria-prima e produtos prontos pra abastecer o mercado caseiro.