Maior oferta do produto aumenta pressão sobre o valor pago ao produtor

O CEPEA, que é o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq de Piracicaba, aqui no estado de São Paulo, divulgou na semana passada o seu balanço do mercado do leite, e os números mostraram que o preço pago ao fazendeiro agora em setembro, pelo produto entregue na usina em agosto, ainda teve fôlego pra avançar. Na média nacional, o valor do produto chegou agora a R$2,89 por litro, com alta de 0,7% em relação a julho, mas com um substancioso aumento de 9,1% na comparação com agosto do ano passado, isso em termos reais, ou seja, estando já descontada a inflação oficial acontecida no período considerado. Já o volume entregue na indústria laticinista apresentou um crescimento de 3,8% de julho para agosto, com destaque para a recuperação da produção no sul do país. Mas apesar da maior disponibilidade de matéria-prima, a demanda relativamente firme impediu uma queda na remuneração do pecuarista.
Mas esse equilíbrio já tá começando a mudar, porque o avanço da safra tá ampliando a oferta de leite e reduzindo a capacidade de sustentação dos preços, com os primeiros reflexos desse movimento já aparecendo no mercado atacadista de derivados. De acordo com a pesquisa do CEPEA, os preços ainda apresentaram resultados positivos no estado de São Paulo, com o leite UHT, que é o nosso leite de caixinha, registrando uma valorização de 4,6%, enquanto o leite em pó subiu 1,8% e a muçarela teve uma pequena alta de 0,6%. Outro ponto que merece atenção é o aumento das despesas do pecuarista, sendo que o custo operacional efetivo da atividade leiteira avançou 0,6%, principalmente por causa do encarecimento da comida do rebanho. Com a alta nos preços do milho e da soja, os alimentos concentrados ficaram 1,2% mais caros.
Com isso, o produtor já tá começando a enfrentar uma situação complicada, porque a perspectiva de redução no preço do leite vem acompanhada de alta no custo de produção, né. E para piorar mais um pouco esse quadro, as importações de produtos de laticínio continuam em patamares muito elevados. De acordo com a SECEX, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, de julho para agosto as compras externas diminuíram 2,5%, mas ainda somaram 230,3 milhões de litros em equivalente-leite, o que é quase 40% acima do que tinha sido registrado no período correspondente do ano passado. O problema é que a entrada desses produtos acontece justamente quando a produção brasileira tá se recuperando, aumentando a disponibilidade de leite no mercado interno e dificultando a sustentação dos preços pagos ao pecuarista. Aí, juntando tudo, a previsão do CEPEA é de uma queda em setembro, com possibilidade de continuidade desse movimento baixista em outubro.