Seca e corte de investimentos derrubam produção de leite em 14,6%

Depois de ter feito o devorteio e de ter embicado de novo na subida do estradão, lá no mês de fevereiro, no setor leiteiro brasileiro o carretão agora tá desembestado nesta direção de morro acima. De acordo com o CEPEA, que é Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq de Piracicaba, aqui no estado São Paulo, o preço pago ao produtor agora em maio, pelo leite entregue na usina em abril, chegou a R$2,65 por litro, na média nacional. Esta foi a quarta alta seguida, sendo que este valor representou um aumento de 10,4% na comparação com o pagamento feito em março deste ano, mas ainda ficou 7,1% abaixo do que tinha sido registrado em abril do ano passado, isso em termos reais, ou seja, descontando já a inflação oficial acontecida de lá pra cá.
Conforme já é da sabedência de todo mundo que faz parte da nossa audiência, a explicação pra este rumo que foi tomado pelo mercado é a conjuminação de duas situações principais que tão provocando a redução da produção de leite no país inteiro. A primeira delas é que, com o avançamento do tempo, nestas alturas atuais do calendário a estiagem já derrubou a qualidade da pastagem, e naturalmente que o resultado é a queda no rendimento da vacada, né. E a segunda questão é que, com o afundamento da cotação e a perda de rentabilidade acontecidos ao longo do ano passado, o pecuarista foi obrigado a cortar o investimento na atividade, sacrificando a produtividade do rebanho, que ainda não foi recuperada. O resultado foi que, de março pra abril, o volume recebido pela indústria laticinista teve um esmagrecimento de 3,4%.
Na soma dos cinco meses já vencidos no ano presente, a queda no fornecimento chegou a 14,6%. Mas repare a companheira fazendeira que, como estas duas encrencas não vão ser resolvidas assim de repente, a previsão é de continuação do aperto na produção, e o preço ao produtor também deve continuar subindo. O problema é que a alta no valor da matéria prima tá sendo repassada pros derivados. O UHT, que é o leite de caixinha, por exemplo, aumentou 20,1%, enquanto a muçarela teve alta de 12,6%. Aí, com a mercadoria parada na geladeira do supermercado porque o consumidor tá reagindo e largando mão de comprar, o setor distribuidor e as grandes redes varejistas agora tão fazendo uma baita gritaria, e essa pressão derrubadeira pode fazer a cotação subir numa toada mais amansada.