Maior produção e aumento das importações pressionam cotações

O CEPEA, que é o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq de Piracicaba, aqui no estado de São Paulo, divulgou na semana passada o seu balanço a respeito do movimento no mercado do leite em outubro, e o resultado deixou comprovado que, conforme até já tinha sido previsto pelos especialistas do setor, depois de subir sem ter parada desde janeiro, o vento agora tá mudando de lado. O caso acontecido foi que, de acordo com o relatório distribuído na praça, na média das principais bacias leiteiras do país, o preço médio pago agora ao fazendeiro, pelo produto entregue na indústria em setembro, ficou em R$2,76 por litro, o que representou um aumento de 8,3% em relação ao período correspondente do ano passado. Mas a situação começa a ficar complicada quando a comparação é feita com agosto deste ano presente de 2027, porque aí o caso foi de uma queda de 5% de um mês pro outro.
Na avaliação dos técnicos responsáveis pela pesquisa, o motivo principal desta reviravolta foi o aumento sazonal da produção, por conta da entrada da safra em algumas regiões importantes, especialmente no Sudeste. De acordo com o relatório divulgado na praça, considerando a média dos 7 estados que lideram a lista dos maiores produtores do país, de agosto pra setembro o volume entregue nas usinas apresentou uma alta de 2,1%. Claro que isso é perfeitamente normal e tava sendo naturalmente esperado por todo mundo que participa do mercado, né. Mas o que também tá ajudando muito a desviar o carretão do rumo em que ele tava embicado é o continuação do crescimento das importações de leite e derivados. Segundo a SECEX, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, em setembro as indústrias laticinistas e os distribuidores atacadistas brasileiros compraram no estrangeiro o equivalente a 249,6 milhões de litros de leite, ou 8,3% a mais do que em agosto último.
Olhando agora pro comportamento da demanda aqui no nosso próprio terreiro, os preços dos derivados mais comercializados também registraram quedas significativas no comércio atacadista, como aconteceu com o UHT, que é o leite de caixinha, que teve uma queda de 4,7%, a muçarela, com um recuo de 4,3%, e do leite em pó fracionado, que levou um tombo de 2,7%. E como tudo que tá ruim sempre pode piorar, outro motivo de preocupação pro pecuarista produtor de leite é a despesa pra se manter na atividade, que voltou a subir em setembro, como custo operacional efetivo apresentando uma alta de 0,4%, empurrado especialmente pelo encarecimento dos alimentos concentrados. Já a respeito do que deve acontecer daqui pra frente, os técnicos do CEPEA tão dizendo que, com a recuperação da produção, por conta da safra, o preço do leite ao produtor deve continuar sofrendo pressão baixista no curto e no médio prazos.