Mercado acompanha impactos das restrições chinesas e dos riscos climáticos

Na carreira do tempo contra o cavalo rei dos parelheiros, o primeiro tá na frente e o segundo tá na poeira, e a gente aproveita então pra começar esta abrideira fazendo a recordação de que, com o julho estando agora estreado e entrado no calendário, por este chão do sertão brasileiro o companheiro fazendeiro que tá investindo no confinamento já tá com a boiada fechada e até com algumas arrobas já ganhadas, né. E com a 1ª rodada da temporada já começada e andada, a previsão dos especialistas é de que, neste 2026 que tá em andamento, seja terminada no cocho uma boiada de mais de 10 milhões de animais, o que, se for mesmo confirmado, deve ser o melhor resultado da história. Mas fazendo aqui a recordação de que não é prudente contar com o ovo que a galinha ainda não botou, a gente chama a atenção da amiga fazendeira pra uma parelha de assombrações que tão assentadas na porteira agourando a sorte do confinador.
A primeira destas trapeiras é fechamento da China pra carne bovina brasileira, que já provocou uma forte queda na procura por animais criados e abatidos de acordo com o figurino exigido pelo gigante lá do oriente distante. Aí, com o comprador alongado da nossa praça boiadeira, o resultado lógico e esperado tá sendo uma derriçada geral dos preços, tanto na negociada do dia a dia quanto no mercado futuro. É verdade verdadeira que o mercado internacional tá extremamente carente de mercadoria, e mesmo entre os países da nossa freguesia não vai faltar quem queira comprar a carne brasileira. Mas a questão é que isso demanda uma negociação demorada, o que é uma situação complicada porque o confinamento depende de um rigoroso planejamento, e um dia a mais de trato pra boiada fechada pode comprometer a lucratividade da atividade.
O segundo urubu agourento que tá anuviando o céu e ameaçando literalmente virar tempestade é o clima, com a possível ocorrência do tal do El Niño muito mais forte do que nos anos recentes, o que tá sendo motivo de preocupação pro pecuarista, por conta da influência que ele pode ter no custo da alimentação do gado confinado, né. Pelo menos por agora, com o milho da segunda safra sendo colhido, e um estoque de passagem até meio folgado, a possibilidade de uma alta exagerada tá afastada. Mas o problema é mais lá pra frente, quando for a hora de fazer a semeadura da soja, que pode acabar ficando atrasada, especialmente no Centro-Oeste, se a seca estiver muito brava, e a gente nem precisa fazer a recordação de que, se o plantio não for feito no tempo certo, aí a produtividade da lavoura ficaria comprometida. O caso então é de prestar atenção no céu e torcer pro tempo não fazer traição, né.