Brasil ainda deve abater cerca de 13 milhões de cabeças até o fim do ano, segundo estimativa da Scot Consultoria

Conforme a gente até já comentou aqui, o resultado preliminar da pesquisa do IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sobre o abate de gado no país no segundo trimestre deste ano, mostrou que o volume de animais entregues nos frigoríficos continuava aumentando lá naquele momento, mas num ritmo bem menor do que vinha acontecendo nos últimos 2 anos, especialmente. Os números apresentados no relatório distribuído na praça confirmam que a pecuária nacional já está sendo fortemente influenciada pela virada de ciclo da nossa atividade, com escassez de oferta e alta no preço dos bezerros, e com retenção de fêmeas nas propriedades, pra recomposição dos planteis de vacas parideiras. E seguindo a lógica deste e mercado, esta situação atual deve se intensificar ainda mais daqui pro final do ano e se prolongar pelo menos até o final do ano que vem.
O caso agora é de acompanhar rigorosamente a evolução das negociações, pra poder planejar a comercialização da boiada, e pra isso uma informação de grande importância é justamente a previsão do tamanho do rebanho que deve chegar nos frigoríficos nos próximos meses. Pois então, de acordo com uma estimativa feita pelo zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria, de setembro a dezembro deste 2026 que tá em andamento o Brasil ainda deve abater cerca de 13 milhões de bovinos. O cálculo leva em conta, primeiramente, que até agora já foram entregues na indústria cerca de 39 milhões de cabeças, e considera também que, historicamente, nos últimos 4 anos, o quarto trimestre concentrou 33,7% do total de animais abatidos, o que corresponde então a este volume apresentado ao mercado, né.
Mas repare bem o companheiro fazendeiro que, embora a gente esteja falando de uma boiada gigantesca que ainda será levada pro gancho, os especialistas do mercado destacam que o ritmo dos abates daqui pra frente deve ser bem menos intenso do que foi no período correspondente do ano passado. Já do lado do consumo, aqui no nosso próprio terreiro tradicionalmente o segundo semestre sempre é melhor do que o primeiro, e nada indica que agora isso possa mudar, até pelo contrário, porque as eleições irrigam a economia com dinheiro e ajudam a aumentar as vendas. Ao mesmo tempo, as exportações pra China, que atualmente estão interrompidas na prática, por conta do esgotamento da cota determinada pra carne brasileira, devem ser retomadas já no final de setembro ou no começo de outubro e, juntando tudo, o mais certo é apostar na retomada do movimento de alta no valor da arroba.