Paralisação das vendas para a China derruba embarques, mas preço internacional sobe 10,1%

A SECEX, que é a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, divulgou no fechamento da semana passada o balanço das exportações brasileiras de carne bovina in natura em agosto, e o resultado foi mesmo tão ruim quanto tava sendo esperado pelos especialistas do mercado. O que aconteceu foi que o volume despachado daqui pro estrangeiro ficou pouca coisa acima de 195,71 mil toneladas do produto. Fazendo a comparação com o que tinha sido registrado no período correspondente de 2025, este total representou uma fortíssima queda de 27,1%. Já o faturamento dos frigoríficos vendedores foi de 1,206 bilhão de dólares, ou 19,8% a menos do que em agosto do ano passado.
É claro que esta diferença assim tão grande entre o percentual de redução do volume exportado e o do dinheiro recebido pelos exportadores tem uma explicação lógica, que é a variação do preço da mercadoria, sendo que esta é também a única notícia efetivamente boa trazida pelo boletim da SECEX, né. O caso foi que, na média do mês recentemente vencido, a cotação da carne brasileira no mercado internacional chegou a 6.175 dólares por tonelada, com mais uma alta bastante expressiva, agora de 10,1%, fazendo sempre a mesma comparação. Deixando um pouco os números de lado, este novo reajuste confirma mais uma vez que a situação ainda é de forte aperto na oferta global de carne bovina, enquanto o Brasil continua sendo o único, entre os grandes exportadores, com capacidade de aumentar o seu fornecimento.
Por outro lado, a explicação pra este dolorido tombo nos embarques é a paralisação das vendas pra China, por conta do preenchimento da cota anual determinada pelo governo deles pro Brasil. A previsão dos especialistas é que as negociações sejam retomadas ainda em setembro ou no máximo em outubro. Voltando agora às estatísticas, considerando os 8 meses já vencidos neste 2026 os resultados não são nem um pouco ruins. Desde janeiro, os frigoríficos brasileiros já exportaram 1,918 milhão de toneladas, ou 4,7% a mais do que nos mesmos meses do ano anterior. O dinheiro apurado já passou de 11,741 bilhões de dólares, com um crescimento anual de 22,8%. E o preço médio já acumula alta de 16,4%.