Governo americano promete importar até 300 mil toneladas sem cobrança de tarifas para reduzir preços ao consumidor

Desde sexta-feira passada tá muito grande a agitação e a ansiedade nos principais países exportadores de carne bovina do mundo inteiro, por conta do comunicado feito pelo presidente dos Estados Unidos, aquele senhor amalucado do cabeço alaranjado, dizendo que tinha acabado de fechar um acordo pra importação de até 300 mil toneladas de carne bovina, sem cobrar nenhum tostão de taxas ou de impostos pra entrar lá no seu mercado. No discurso, feito de encomenda pros seus eleitores, a promessa foi de fazer esse produto chegar aos consumidores estadunidenses a um preço 25% mais barato do que os atuais. Além de ajudar o povo lá a melhorar a qualidade da comida e a diminuir o custo de vida, a ideia seria de também dar um fôlego pra recuperação do tamanho do rebanho bovino deles, que hoje é o menor dos últimos 70 anos, né.
Logicamente que o anúncio da medida provocou imediatamente um grande furdúncio, primeiramente porque o senhor presidente não disse de quem ele vai comprar esta enorme quantidade de carne, nem quando os embarques vão começar. Mas também não demorou nada pra aparecer a reação mais revoltada, e mais esperada, né, que foi a dos fazendeiros norte-americanos. De acordo com um comunicado da Associação Nacional dos Pecuaristas dos Estados Unidos, esta importação vai inundar o mercado com o produto importado, prejudicando os produtores locais e desincentivando o investimento na recuperação da boiada própria deles. Claro que a verdade verdadeira mesmo é que, com o forte aperto na produção, a lucratividade da atividade lá tá altíssima, e eles tão muito revoltados com a possibilidade de ter de dividir isso com os concorrentes estrangeiros, né.
Já os exportadores da Austrália, que são os maiores fornecedores de carne bovina pros Estados Unidos, não viram vantagem nem tiveram motivo pra fazer comemoração, pelo simples fato de que eles já vendem lá sem pagar nenhum imposto. A Argentina, que tem recebido tratamento especial do governo estadunidense, e o Uruguai, já tão exportando no limite da sua capacidade. A conclusão então é de que quem mais poderia ganhar se esta importação realmente se confirmar, seria o Brasil, que hoje tem uma cota mínima livre de cobrança, e fora disso paga uma pesadíssima taxa de 26,4%. Pois mesmo assim, de janeiro a julho a gente já exportou 223,8 mil toneladas, com faturamento de 1,5 bilhão de dólares. Imagine agora a companheira fazendeira a festa que a gente faria se eles abrissem mesmo esta porteira, né.